[Resenha] Persépolis - Marjane Sartrapi - Cantinho Geek

28 julho, 2018

[Resenha] Persépolis - Marjane Sartrapi


Conheci Persépolis durante uma matéria de Historias em Quadrinhos Autorais na Faculdade, o meu professor era o Edgar Franco, um quadrinista que defende a ideia de história de quadrinho autorais, uma história autoral e nada comercial, entendem? 

Na época não deu para ler tudo de Persépolis, mas já havia me interessado muitíssimo pela história. Antes dessa HQ eu havia lido Maus - para quem não conhece tem resenha aqui no blog, é uma HQ que fala sobre o nazismo e a vida de uma família judia. Nela os judeus são representados como ratos, os alemães como gatos e os americanos como cachorros. Cada lugar é representado por um animal, recomendo muito que leiam. É ótimo!

Depois de Maus me aventurei um pouco em Persépolis, mas na época não consegui terminar de ler. Falta de tempo, trabalhos para entregar, uma correria. Eu acabei comprando ele recentemente na Amazon e decidi tirar um tempinho para ler. Persépolis tem mais de 300 páginas e conta a história de vida da autora iraniana Marjane Sartrapi. Ela nasceu em 1969 e presenciou todas as mudanças de seu país, no começo ela podia estudar em escolas laicas e bilíngues - onde aprendia francês - e logo se viu sendo obrigada a usar o véu, as escolas laicas foram fechadas e as garotas e os garotos foram separados pois não podiam ficar juntos.

Ela vivenciou inúmeros tipos de ditaduras, e como a repressão foi ficando cada vez pior. De acordo com os ditadores, as mulheres não podiam mostrar o cabelo pois aquilo era excitante para os homens e assim, elas tinham que usar o véu. Os homens não podiam mais usar roupas de mangas curtas, pois os pelos de seus braços também não deveriam ser mostrados. 

Marjane é uma garota rebelde desde pequena, pois seus pais eram contra o regime e iam em manifestações, no começo, não havia problema nenhum ir em manifestações, mas o regime começou a fuzilar todos da oposição e assim, a revolta era mostrada em outras ações: maquiagem, vestes e diversas outras coisas proibidas.

Os iranianos não podiam beber, festejar e ouvir músicas ocidentais, mas faziam tudo escondido. Nas ruas eles tinham que se mostrar adeptos ao regime ou seriam presos, torturados e até mortos, mas em casa, cada um vivia da maneira que quisesse. É repugnante ver como o regime instalou leis nojentas que diminuíam os direitos de todos, principalmente das mulheres. Nas escolas era ensinado que Deus havia escolhido aquilo, uma lavagem cerebral.

Inúmeras pessoas foram mortas, e sua cidade começou a ser bombardeada durante a guerra entre o Irã e Iraque. Certo dia um bombardeio atingiu uma casa do lado da sua, os vizinhos que ela adorava foram mortos, mas seus pais estavam vivos. A guerra era constante e parecia não ter fim, pois o regime percebeu que só era possível se manter durante a guerra para a população não se revoltar.

Conforme Marjane foi crescendo, mais rebelde ela ficava, até que seus pais tiveram que mandá-la para a Áustria, pois achavam que ela um dia acabaria presa caso ficasse no Irã. No entanto, a vida em outro país não foi melhor. Ali, Marjane se viu em uma decadência emocional procurando escapes em cigarros e drogas. Sua vida ia de mal a pior, teve que morar um tempo na rua, e só depois de três anos ela voltou para o Irã, mas era uma mulher depressiva e com a auto-estima baixa. Ela tinha vergonha de não ter se tornado alguém na Áustria, pois seus pais faziam de tudo para que ela vivesse bem, mesmo estando em um país em guerra.

A HQ conta as etapas de vida da Marjane e o que lhes falei é um resumão para não estragar a leitura, também não vou contar o que houve depois que ela voltou para o Irã. Eu fiquei um pouco decepcionada com ela, com a sua criação e vivência eu pensei que ela não se renderia as drogas, mas com tanta pressão, tanta negatividade em sua vida, eu até entendo o motivo de ela ter vacilado. 

Persépolis não é uma história feliz no meu ponto de vista, há apenas morte e sofrimento, direitos arrancados brutalmente por um regime e uma vida miserável sendo seguida a risca pela lei. Para quem quer conhecer um pouco a cultura e como as coisas eram antes de se formarem para o que é hoje, recomendo bastante a leitura.

Avaliação:
4/5




8 comentários:

  1. Não curto muito HQ, e são bem poucos os que eu já li.
    Mas parece ser uma ótima trama,e eu gostei bastante da premissa e quem sabe com essa eu comece a conseguir a ler HQ.
    Para quem gosta é uma ótima indicação.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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    1. Eu adooooro HQ! Se tem uma coisa que amo é isso *-*

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  2. Oi, Géssica,

    Ainda não li essa HQ, mas imagino que tudo o que a autora transpôs é de muita intensidade. Vide o período histórico relatado.

    Então, com certeza não é uma simples leitura comum.

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    1. Oi!
      Recomendo que leia, eu gostei muito *-*

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  3. Oi Géssica,
    Não é uma história feliz mas é uma história real, real para muitas garotas, onde ir contra o regime é perigoso, mas aceitar o que é imposto também, já que a personagem tinha que se fechar para viver algo com que não concordava! Imagino que acompanhar a evolução e ao mesmo tempo decadência dela foi bem triste.
    A HQ está em uma edição muito bonita, adorei.
    Beijos

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  4. Olá Géssica!
    Sempre li resenhas, ainda bem, que positivas sobre esse livro, te confesso que tenho mtas expectativas em cima do enredo, espero que qdo surgir oportunidade eu curta mto, estou doida pra ler!
    Bjs!

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  5. Oi,Géssica!Tudo bem? As únicas HQ´s que li na vida foram da Turma da Mônica.Penso em comprar algum mas é muito caro. Mas essa me chamou à atenção e achei muito interessante a autora relatar sobre aquela época,sobre o que ela viveu em uma HQ. Isso é bem diferente comparado com outras obras da literatura,ficou mais claro de entender o que se passava naquele tempo de repressão e medo. É uma história muito triste,apesar de não ser fã de livros assim me interessei mesmo por essa obra e pela história da autora.

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  6. Gessica!
    Que maravilha de livro para desvendarmos os segredos do oriente.
    Não sabia que era em HQ esse livro e fiquei encantada com a história e as ilustração.
    cheirinhos
    Rudy

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