Cantinho Geek

15 julho, 2019

[Filme] Us (Nós)
julho 15, 20190 Comentários

Ontem eu assisti o filme Us (Nós) do Jordan Peele, mesmo diretor do filme Get out! (Corra!). Como o primeiro filme, Get out!, foi espetacular. Fiquei muito ansiosa para assistir esse segundo filme do mesmo diretor. Para começar eu já quero elogiar os atores, são ótimos.

Us começa mostrando uma família com uma filhinha em um parque de diversões. Ela deve ter em torno de sete a dez anos, e em um momento de distração dos pais ela sai de perto deles e entra em uma casa de espelhos. Em uma situação tensa, a menina acaba encontrando uma cópia dela mesma naquele lugar, a cena corta e vamos para o presente. 



Essa menina cresceu, ela se chama Adelaide, é casada e tem dois filhos. Ela está atualmente voltando para aquele lugar onde ocorreu o trauma de sua vida, e seu marido, Gabe, quer muito ir a praia (onde fica o parque de diversões). Ela reluta em ir, mas acaba indo. Depois de voltarem para casa e escurecer, seu filho mais novo diz que tem uma família de mãos dadas em frente a casa deles.


Gabe tenta pedir que vão embora enquanto Adelaide já começa a ligar para a polícia. O que acontece em seguida é uma loucura, porque aquelas pessoas, são eles. Identicamente. Nesse momento, Adelaide pergunta o que eles são, e a Red Adelaide - vou chamar assim para separar, pois eles só vestem vermelho - diz que eles são experiências governamentais. Foram criados identicamente as pessoas para que o governo pudesse controlá-las, mas eles não conseguiram replicar a alma, então, o experimento falhou e eles foram abandonados. Mas como eram corpos idênticos, as cópias, realizavam os mesmos movimentos que o pessoal de cima - as cópias ficam no subsolo.


O filme então entra em um frenesi da família tentando sobreviver às suas cópias que querem se desvincular. Com o tempo vamos entendendo mais o que está acontecendo e nos é revelado o surpreendente final que eu não vou contar, claro. O final é tão surpreendente que eu quero assistir o filme de novo com essa nova perspectiva.

Tenho tantas coisas para falar, teorias e tudo mais, só que não posso. Não vou dar spoilers, então se alguém quiser bater um papo sobre o filme me mande um direct no instagram @cantinhogeek.

Você já assistiu o filme? O que achou? Surtou igual eu?


Avaliação:
4/5

17 junho, 2019

[Resenha] Corações Quebrados - Sofia Silva
junho 17, 2019 4 Comentários

A resenha de hoje é de um dos livros da escritora portuguesa Sofia Silva, que lançou suas obras da série Quebrados pela editora brasileira Valetina. O da resenha de hoje, "Corações Quebrados", é o segundo da série e foi lançado em 2018, mas pode ser lido por quem ainda não leu o primeiro, pois não é necessariamente uma continuação e conta a história de amor de novos personagens marcados por problemas psicológicos ou abusos.

Corações Quebrados conta a história de Diogo e Emília, ele um soldado português que abandona a carreira militar e tenta seguir sua vida após a morte de seus amigos e companheiros de farda; e ela uma jovem brasileira, estudante de veterinária e que após um grave acidente de trânsito em que perdeu pais e irmãos e sofreu danos físicos irreparáveis, entrou em depressão e até mesmo tentou tirar sua própria vida.


A história começa quando Rafaela, tia de Emília e sua psicóloga, entra em contato com Leonardo, psicólogo e amigo de Diogo, após ler um artigo dele sobre a recuperação de soldados no pós-guerra. Ela acredita que a experiência dele pode ajudar a tirar a sobrinha da depressão e trazê-la de volta à vida. A ideia é intermediar uma aproximação online de Diogo e Emília através de um chat na internet, onde ambos poderão conversar e trocar experiências, tudo intermediado pelos profissionais.

E assim acontece, apesar da resistência inicial de Emília, eles começam a conversar e a trocar confidencias e dificuldades, tentando auxiliar-se mutuamente ao mesmo tempo em que também conhecem mais um sobre o outro. Aos poucos eles vão se aproximando, estreitando a amizade e passam do chat observado por seus psicólogos para conversas em outros locais mais privados.


Já de início, Diogo se sente muito melhor conversando com Emília e supera o que restava de seus traumas, retornando às atividades antigas e buscando ao máximo saber mais sobre ela, fazê-la ficar bem e impressioná-la. Mas a brasileira não se abre tanto quanto ele e mantém uma aura de mistério, principalmente em relação ao acidente que sofreu, além de uma autoestima baixa e muita insegurança. O que faz com que ele tente cada vez mais saber sobre ela e descobrir o que ocorreu, inclusive perguntando ao seu próprio psicólogo, que se nega a contar.

Mas o relacionamento — mesmo à distância — avança e os dois passam a se falar diariamente por ligação e por vídeo, e Diogo, inclusive, apresenta Emília à sua família e, online, faz com que ela participe da ceia de natal deles e comemore o ano novo junto com ele.

Tudo vai muito bem e ele começa a imaginar uma vida com ela, até que...


Sem explicação ela manda uma última mensagem se despedindo e dizendo que não gostaria mais de conversar com ele, excluí suas contas nas redes sociais e some, sem dar chance dele perguntar o que aconteceu. Como é de se imaginar, Diogo enlouquece e como única solução vem para o Brasil atrás dela.

A partir de então, eles se encontram pessoalmente e Diogo descobre que após o acidente ela precisou amputar uma das pernas, possuí diversas cicatrizes, principalmente na região da barriga, e que após descobrir tudo isso foi que o antigo noivo dela a deixou, tornando-a ainda mais insegura, triste e depressiva. E agora pessoalmente, Diogo precisa lidar com todos os traumas dela, esperar o tempo dela para avançar na relação e provar dia após dia que a ama e não vai desistir dela.


Tudo isso acontece basicamente em apenas um terço do livro e os dois restantes são juras de amor, drama, dificuldades de avançar a relação, histórias e momentos românticos no geral. Antes da metade do livro, a obra torna-se repetitiva, melosa e dramática em excesso, sempre com juras apaixonadas do Diogo e inseguranças da Emília.

Também é importante dizer que o livro é narrado em primeira pessoa e sobre o ponto de vista intercalado dos dois personagens principais — apesar de ter um único capítulo aleatório e desnecessários narrado pela Rafaela — e consiste basicamente em duas coisas: diálogos e fluxos de pensamentos. Não há descrições de locais, ambientes e personagens, ou mesmo ações, somente as falas e os pensamentos do narrador daquele capítulo e quase sempre centrado no amor e no par romântico. Inclusive, em alguns diálogos com mais personagens, me perdi um pouco nas falas, sentindo falta de incisos que descrevessem quem é que estava falando.

Outra coisa que me incomodou bastante foi a escrita em português de Portugal. Entendo que a autora é de lá e escreve assim, e tudo bem o Diogo dizer "Amo-te" e usar próclise e mesóclise corretamente em conversas informais. Porém, em diversos momentos personagens brasileiros falavam como os portugueses, usando expressões deles e estrutura de frases semelhantes às portuguesas. Como o livro foi lançado por editora brasileira, no Brasil, o revisor poderia ter alterado algumas expressões e palavras, tornando-as mais naturais para brasileiros nativos.


Em relação à trama, personagens e enredo também tenho algumas críticas: os personagens me pareceram superficiais demais. Diogo é o cara perfeito que em poucas palavras curou-se completamente de seus medos e traumas e está sempre disposto a ajudar os outros e fazer juras e juras de amor incansáveis e em formas de poema. Mas não há nada de humano nele, nada que me toque ou faça eu me apaixonar pelo personagem. Sua vida gira em torno de Emília, e é isso. Inclusive, acho que ele se mete bastante em coisas que não tem conhecimento, como na vez em que fez um dos garotos da clínica, Cauê, que sofreu abusos sexuais e tem um passado sombrio, espancá-lo porque segundo ele, aquilo faria com melhorasse. Com base no que ele diz isso? Como ele sabe? Nunca fez psicologia. Nunca se especializou na área. Apenas viveu e superou seu próprio passado que é completamente diferente do dos outros. O mesmo vale para quando, quase no final, ele abandona Emília porque acha que ela precisa superar o restante de  seus medos sozinha e que só poderá voltar a vê-lo quando tiver melhor e sem medos, mais segura de si e recuperada completamente. Quando que na vida real isso não seria um novo baque e um novo motivo de desânimo e depressão pra alguém que está se recuperando? A moça ainda estava mal, ainda vivia na clínica, convivia com o amor da sua vida 24 horas por dia, dormia no mesmo quarto que ele, dividia tudo com ele e aí do nada o cara some e ela fica bem? Não sente sua falta? Ou fica triste e depressiva?

Também vale a ressalva de que em muitos momentos senti que se formava um relacionamento abusivo entre os dois personagens. Ambos eram muito dependentes um do outro e nada existia além do amor e do romance entre eles. E sabemos que estruturar uma nova vida tendo como base um relacionamento tem altas chances de dar problema, né?


Fora tudo isso, o livro tem seus pontos fortes: a diagramação e a edição da editora Valentina está lindíssima! A capa é maravilhosa e a narrativa conta com diversos poemas e frases de amor, escritos pelos próprios personagens, a leitura é leve e rápida e para quem gosta de  muito drama, declarações de amor e superação o livro é ótimo!

Também trago como positivo o trabalho da autora na forma de abordar a depressão da Emília e a sua deficiência, assim como fazer os personagens conversarem sobre diferenças entre Brasil e Portugal e de forma despretensiosa trazer informação e conhecimento aos leitores.

Se você gosta de romance, drama, e uma história pra ler e esquecer da vida, sem muitas decepções e tristezas, vai gostar de "Corações Quebrados"!

Avaliação: 
3/5
Adquira no site da editora: 


03 junho, 2019

[Resenha] Cartas no corredor da morte - um terror psicológico de Cláudia Lemes e Paula Febbe
junho 03, 20190 Comentários

Cartas no corredor da morte é um livro publicado pela Monomito Editorial neste ano de 2019. O livro foi escrito pelas autoras Cláudia Lemes - mesma autora do sucesso de Eu vejo Kate e Inferno no Ártico -, e a autora Paula Febbe - mesma autora de Metástase.

O livro é curtíssimo, mas mesmo com apenas 124 páginas consegue envolver o leitor em uma narrativa surpreendentemente gore e chocante. A narrativa é formada por cartas trocadas entre dois serial killers: Steve Gurniak e Johnny Love. Ambos estão no corredor na morte e se apegam a essas cartas em seus momentos finais. No caso de Love, a sua sentença já está marcada, no entanto, a de Gurniak ainda não foi marcada, mas devido a seus crimes, ele sabe que a morte será a sua sentença.

Tudo começa com a curiosidade de Love em Gurniak, pois ele é um famoso serial killer que passou em todos os canais de TV, mas que foi preso pois sua vítima conseguiu fugir. Gurniak se considera um salvador, alguém que está limpando o mundo da sujeira. Enquanto Love confessa que seus crimes eram sexuais, ele vivia para o sexo. De todas as formas.


Assim, os dois serial killers vão trocando cartas e contando um pouco mais sobre suas vidas e como se tornaram o que são. As cartas são bem cruas, as descrições são chocantes e eles se sentem bem com aquilo. Era normal para eles, era bom até certo ponto. Para mim, as descrições de Love são chocantes, a forma como ele se tornou o que era, tudo muito cru e cruel. A vida de Gurniak também é cruel, e percebemos como suas vidas os levaram até ali. Claramente traumatizados e perturbados desde a infância.

Através das cartas percebemos suas convicções e visões de seus crimes. É tudo muito perturbador e fico admirada pelas autoras conseguirem fazer isso tão bem. Cláudia Lemes fez as cartas de Love, já Paula Febbe fez as cartas de Gurniak. A narrativa por cartas não me incomodou de forma alguma, aliás, para este livro, é perfeita. Não vejo outro modo de como Cartas no corredor da morte poderia ser escrito senão por cartas. É genial!

Como o livro é muito curto, tenho medo de contar demais e acabar a graça do livro. Assim, recomendo esta ótima leitura para os amantes de serial killers. Vocês vão adorar!


Avaliação:
5/5

27 maio, 2019

[Resenha] Todo Dia a Mesma Noite: A história não contada da boate Kiss - Daniela Arbex
maio 27, 20190 Comentários

"Todo Dia a Mesma Noite: A história não contada da boate Kiss" é um livro-reportagem escrito pela jornalista brasileira Daniela Arbex sobre a tragédia ocorrida em Santa Maria (RS) na boate Kiss em 2013, que vitimou 242 jovens e feriu mais centenas, além de mudar completamente a rotina de uma cidade. A obra foi publicada ano passado (2018) pela Intrínseca e tem 248 páginas.

Antes mesmo de começar a leitura, pelas lembranças que tinha do caso, já soube que seria uma leitura pesada e extremamente tocante. Logo que iniciei, até pensei em desistir, mas felizmente não o fiz. E apesar disso, nas primeiras páginas, fiquei um pouco frustrada com a narrativa e o desenrolar da obra. Como comum a qualquer livro-reportagem, cada fato e personagem era inserido juntamente com muitas outras informações, ao ponto de eu — acostumada apenas com livros literários — me atordoar e achar excesso de informações.

E essa é minha primeira crítica: a autora demorou para pegar o ritmo da narrativa e conseguir fazê-la fluir. Foram vários capítulos, com dezenas de personagens — pais, jovens, médicos, de diferentes idades, profissões, cidades — que faziam diversas coisas e sempre de forma rápida e superficial. A narrativa não me tocava. As histórias das pessoas reais, contadas no livro, não me tocavam. Não havia nada que me emocionasse, era apenas a narração seca e sem floreios própria de uma jornalista (e não que estivesse errado, afinal era justamente esse o objetivo do livro, narrar o acontecimento jornalístico). Também, me chamou a atenção os diálogos irreais, simples e forçados, que além de, ao mesmo tempo não condizerem com a linguagem informal, típica das conversas do dia a dia, também simulavam um sotaque gaúcho caricato, exagerando na utilização do "bah",  do "tu estás" e de outros regionalismos.


Apesar do começo lento, aos poucos Daniela vai retomando a história dos pais e dos jovens citados anteriormente, aprofundando suas histórias e sempre abordando seus passados e sonhos futuros. E não só deles, o livro conta também sobre alguns dos profissionais que atuaram  no acidente, principalmente os que tentaram salvar vidas — médicos, bombeiros, enfermeiros. Em alguns pontos, inclusive, a autora romantiza algumas atitudes, abordando sempre apenas os lados bons, altruístas e positivos dos envolvidos, sem dar margens pra mostrar personagens humanos. Principalmente dos que morreram. Todos eles eram perfeitos, bons filhos, bons estudantes, e com uma carreira de sucesso pela frente.

A primeira vez que me emocionei de verdade com o livro, foi a partir da página 140, quando a autora conta a história de Maria Aparecida Neves e o dilema dela ao ter que escolher a última roupa que o filho Augusto usaria em seu velório. A partir disso, a narrativa retorna dezenove anos no passado, fazendo um paralelo com a primeira roupa que ela escolheu para o filho usar: no dia em que foi adotado por Maria e seu marido. De família negra, pobre e evangélica, Augusto cresceu como o orgulho dos pais, sendo o primeiro da família a frequentar uma universidade e fazendo com que seus pais não medissem esforços para dar-lhe todo o necessário. O rapaz se formaria em 2017 e não era muito de festas. Sua mãe, inclusive, não gostava que ele frequentasse aquele tipo de ambiente, principalmente devido a religião deles. Mas, apesar disso, ela sabia que o filho estaria na festa aquela noite e até aprovava que ele se divertisse um pouco. Inclusive, depois, na narrativa do enterro do rapaz, há uma suave crítica quando um dos pastores chama o pai de Augusto e lhe diz que a morte do filho deles foi merecida, pois o garoto estava em um ambiente inadequado e pecaminoso.

Há também no mesmo capítulo, outra história contada com base na escolha da roupa que a vítima vestiria ao ser enterrada. Lucas, um jovem estudante e amante das tradições de seu estado, que gostava tanto de andar pilchado que queria ter ido àquela noite na festa da Kiss usando bombacha, lenço vermelho e guaiaca. No fim, pra ir à boate, foi convencido a usar calça jeans e camiseta, mas em seu velório, satisfazendo o último desejo do filho, sua mãe o colocou a roupa gaúcha que tanto queria. As ligações das duas histórias com a vestimenta foi um dos pontos mais positivos que encontrei no livro, principalmente por mostrar um elemento simples e mundano, que naquela situação adquiria uma nova importância aos personagens.


Além desses há diversas outras narrativas que também me tocaram. Entre elas, a da mãe que perdeu a filha no incêndio e com isso além de perder parte de si e uma amiga, perdeu também a razão de viver, tentando cometer suicídio várias vezes, numa dessas vezes, inclusive, tentando matar a outra filha mais nova. E que posteriormente também enfrentou outras situações, como a morte do pai, um câncer da filha mais nova e até hoje tenta superar o ocorrido e seguir em frente, sem conseguir. Há também o caso dos pais que que estavam em outra cidade ao saberem da tragédia e  preocupados com as duas filhas que foram à festa, juraram a si mesmos que se elas tivessem mortas, ambos se matariam. Tem o caso do amigo que foi com outras quatro meninas — elas que permaneceram durante quase um dia inteiro na lista de sobreviventes, sem que as famílias pudessem encontrá-las, e que posteriormente foram encontradas todas mortas — e foi o único de seu grupo a sobreviver. Entre outros tantos casos. Sendo a maioria dos que me emocionaram, aqueles em que as situações condiziam com a minha própria realidade, quando eu conseguia me colocar no lugar dos personagens e imaginar algo semelhante.

A narrativa tem algumas descrições e acontecimentos bastante fortes. Um dos que mais me marcou foi o de um rapaz que conseguiu sair da boate a tempo. Do lado de fora, ele desmaiou, mas logo recobrou a consciência. Ele não sentia dor, não se sentia mal, nem nada. Mas a pele de seus braços foi completamente desgrudada e ficou pendurada pelos pulsos, segundo conta o livro. Ele não reparou no que havia acontecido e insistiu em permanecer próximo da boate, pra ajudar no que pudesse, até que o obrigaram a ir até o hospital mais próximo. Lá, ele foi medicado e sedado, ficando em coma induzido por mais de uma semana e sendo transferido para o hospital de Porto Alegre, por ter mais de 40% do corpo queimado. Felizmente, ele sobreviveu, mas viveu anos de recuperação e de muita dor.



Além de todas essas histórias pessoais, o livro também aborda outros acontecimentos menores, como o dos militares que foram autuados por estarem  recebendo os corpos das vítimas, sem estarem devidamente fardados; o do comandante dos bombeiros que foi acusado judicialmente por ter permitido que quatro jovens retornassem à casa noturna, tentando ajudar no resgate, e nunca mais saíssem; o do funcionário de uma funerária que tirava foto do corpo seminu das mulheres mortas; o dos políticos que estiveram na cidade e foram ver e fotografar os corpos antes dos próprios familiares; o dos pais de duas vítimas que foram processados pela difamação de promotores que analisavam processos antigos da Kiss; entre outros.

Obviamente, há também maiores detalhes da tragédia e do que a tornou ainda pior: na noite do dia 27 de janeiro, a casa noturna com espaço para pouco mais de 600 pessoas, abrigava quase mil. Todas as aberturas do local, à exceção de suas portas, foram trancadas para completa vedação acústica, impedindo a saída de ar; havia diversos guarda-corpos dividindo fluxos e áreas, que na hora da tragédia transformaram o local em um labirinto; as luzes sinalizadoras do banheiro que foram as únicas que permaneceram acesas e que fizeram com que dezenas de jovens corressem até o local e morressem confinados; os seguranças que no início do incêndio impediram que as pessoas saíssem por não terem pago suas comandas; e o mais grave de todos: a utilização equivocada de espuma de poliuretano de colchões na forração e isolamento das paredes, que ao entrar em contato com o fogo, produziu uma fumaça venenosa, apesar de inodora e invisível, que fez com que os presentes no local morressem em questão de minutos e praticamente com o mesmo gás que os utilizados no holocausto da Alemanha nazista.

E além de tudo, a imprudência dos músicos da banda Gurizada Fandangueira que soltaram fogos de artifício externos, num ambiente interno e abarrotado de gente, provocando o incêndio. E também a falta de diversos alvarás e irregularidades em normas técnicas — entre elas a de prevenção contra incêndio.


E é por isso que um livro como esse da Daniela Arbex é importante. Ele não só dá nome e histórias às vítimas e famílias atingidas por essa tragédia, como também impede que elas sejam esquecidas. É preciso que se aprenda com os erros, fazendo com que acontecimentos assim não venham mais a acontecer ou que no mínimo estejamos preparados para eles. É imprescindível que se recorde a soma de fatores que tornou essa a segunda maior tragédia brasileira provocada pelo homem. Famílias foram destruídas, profissionais tiveram diversos problemas de saúde físicos e psicológicos e uma cidade inteira foi modificada, isso sem contar as centenas de vidas, sonhos e futuros perdidos.

Para muitos, a dor do dia 27 de janeiro de 2013 não acabou e para nós é possível senti-la e recordá-la com o livro Todo Dia a Mesma Noite, que apesar de abordar situações tristes e dolorosas, tem uma escrita fácil, simples e rápida — considerando que você não precise parar para chorar a cada capítulo. Eu recomendo a leitura não só pela importância do fato abordado, como também pelos diversos conhecimentos a linhas de abordagem que ele traz e por ser um livro diferente do comum, que tem muitas chances de tornar-se uma obra emblemática do futuro do jornalismo nacional.

Avaliação: 
4/5

02 maio, 2019

[Resenha] Floresta dos medos - DarkSide
maio 02, 20191 Comentários

O livro é um conjunto de histórias assombrosas escrito por Emily Carroll. O livro conta com 7 capítulos onde o primeiro é a introdução seguido de 5 histórias e por fim uma conclusão. Primeiro falando do projeto gráfico, como sempre muito bem diagramado, as ilustrações também ficaram lindas e o acabamento do projeto nem se fala.

A introdução aborda aquele tema que é bem comum entre a grande maioria das pessoas, o medo de ser puxado para o escuro. Sabe quando você está na cama e fica com o pé para fora da coberta? Aí você fica com aquele medinho de alguma coisa puxar ou encostar no seu pé no escuro, bom é isso ai hehe!

A casa do vizinho é o primeiro conto do livro, ele conta a história de irmãs que são deixadas em casa pelo seu pai ao ir caçar, porém o mesmo não retorna a casa após o dia combinado, e é ai que as coisas começam a ficar estranhas. Uma das 3 irmãs disse que um homem havia visitado a casa na noite passada, o mesmo usava um chapéu de aba larga e também falou que ele iria busca-la, e assim aconteceu, na noite seguinte ela sumiu da casa, depois aconteceu o mesmo com outra das irmãs e por fim ficou apenas uma. E ai o que você acha que aconteceu com ela?


As mãos de uma moça são frias é o segundo conto do livro, o pai de uma jovem a obriga a casar com um rapaz, porém ele não imaginava o que iria acontecer a pobre coitada. A jovem se muda para a mansão do rapaz, e uma casa enorme e com um jardim na frente, durante a noite a jovem escutou alguns ruídos e ficou com aquilo na cabeça, parecia que o barulho estava vindo da parede, no dia seguinte seu marido sai e ela decide procurar o que era aquele barulho e ao furar a parede acaba se deparando com algo muito sombrio.


Seu rosto todo vermelho é o terceiro conto do livro, ele conta a história de dois irmãos, um muito querido pelos moradores da cidade e outro que era tido como piada para as pessoas. Na mesma cidade estava acontecendo alguns ataques de algum tipo de "monstro" que estava matando animais, o irmão que era uma piada para as pessoas se ofereceu na prefeitura para matar o tal "monstro", porém todos riram da sua cara, foi ai que seu irmão que era respeitado se ofereceu para ir junto e ai todos aceitaram. Durante a caçada o irmão que todos gostavam acabou matando a fera e foi ai que seu irmão tido como piada decidiu fazer uma coisa que o iria assombrar pelo resto de seus dias. 


Minha amiga Janna é o quarto conto do livro, conta a história de duas garotas que trabalhavam juntas para dar golpes, elas fingiam que falavam com os mortos para conquistar clientes que queriam saber coisas do submundo. Porém uma delas acabou percebendo que ela não fingia e que ela realmente via assombrações e esses fantasmas passaram a atormentar a vida delas. 


O ninho é o quinto conto do livro, ele conta a história de uma garota que nas férias da escola decide visitar seu irmão na casa de campo, o mesmo é casado com uma mulher muito estranha. Com diversas situações estranhas a menina acaba descobrindo uma verdade monstruosa por trás de sua cunhada e faz com que seu irmão vá embora com ela, porém no caminho de sua fuga descobre algo muito tenso. 


A conclusão conta meio que uma história da chapéuzinho vermelho onde ela volta para casa e fica feliz por não encontrar o lobo em sua caminhada, porém ao se deitar na cama vê uma sombra na janela e percebe que é o lobo, e ele diz: Você precisa ter sorte de evitar o lobo todas as vezes, mas o lobo só precisa da sorte de encontrá-la uma vez.

O livro é muito legal, me deu alguns arrepios, as ilustrações contribuem muito na história. Espero que tenham gostado da resenha e que ela possa ter despertado em vocês uma curiosidade para conhecer a obra.

Até a próxima Geek's!

Avaliação:
4/5




01 maio, 2019

[Resenha] Jogos Arcanos: a garota - T. F. Carvalho
maio 01, 20190 Comentários

Jogos Arcanos é um livro do autor T. F. Carvalho que foi publicado pela Chiado Books. O livro tem 381 páginas, mas é uma leitura bem rápida pois o formato do livro é um pouco menor fazendo com que o livro tenha mais páginas. O volume tem continuação, mas fecha de um jeito bem bacana deixando um gancho para o próximo livro. Como o nome do livro diz se trata de jogos arcanos, já já explico para vocês.

Acompanhamos a visão do protagonista Dante Reimann, ele mora em Nova York e atualmente está desempregado. Sua vida sempre foi normal, até que certo dia ele acorda em um hospital e ao sair de lá parece ter em entrado em uma dimensão paralela. Ele sabe que está na cidade de Nova York, mas está tudo diferente. Tem um olho no céu e não há mais ninguém na cidade. 

Dante se depara com três rapazes que ficam assustados com ele, mas decidem assassiná-lo. Dante não sabe o que está acontecendo e começa a correr, até reparar que há um monstro correndo atrás dele. Correndo para se salvar ele parece sair daquela dimensão, mas o monstro ainda está lá e só ele pode vê-lo.

Ele consegue fugir e volta para o seu apartamento, quando é acordado por uma garota-ovelha chamada Arie. Ela não se lembra de quem é, mas sabe que deve ficar ao lado dele. Assim, Dante acaba descobrindo que só ele pode vê-la também e após algumas desventuras ele descobre que agora é um apostador de sonhos e está na família Leone. Dante conhece alguns membros de sua família Leone, eles são Amy Adam. Os dois tratam de explicar tudo para Dante, pois estranhamente ele não se recorda das regras do jogo que são ditas no momento que ele toca seu arcano maior pela primeira vez. Assim, ele também acaba descobrindo que os três garotos que encontrou são pesadelos, assim, como eles tem seus sonhos personificados, outros tem os seus pesadelos e querem trazer destruição para o mundo. 

A dimensão que Dante entrou anteriormente é chamada de Jardim, nesses locais as batalhas acontecem para que não interfiram no mundo real, mas os pesadelos conseguem fazer com que esses Jardins tenham falha e assim, as destruições que causam lá, também acontecem no mundo real. Os pesadelos estão destruindo propriedades das famílias e eles têm que descobrir quem são e detê-los.

Basicamente, o jogo funciona da seguinte forma. Alguns humanos ganham a chance de apostar por seus sonhos. Tem as famílias, e os membros não podem lutar entre si, apenas com as outras famílias. Nessas lutas, eles apostam por moedas, essas moedas são capazes de realizar qualquer sonho, mas dependendo do sonho o valor de moedas aumenta ou diminui. Assim, eles lutam entre si para ganhar moedas e realizar seu sonho, pode ser "ser rico", "me formar" e vários outros. Realizar um sonho não impede de realizar outro, assim as batalhas são constantes. No entanto, o apostador deve tomar cuidado, pois se ele ficar sem moedas o seu Djinn morre. Arie, a garota-ovelha que aparece para Dante é o Djinn dele, é a sua personificação dos sonhos e é com ela que ele vai batalhar. Com ela e as cartas que recebe a cada luta. Basicamente é um jogo parecido com Yu Gi Oh, mas as cartas dão apenas armas e muda o status do Djinn aumentando força ou alguma outra habilidade.

Se o Djinn morrer, o dono do Djinn perde todos os seus sonhos e todas as chances de sucesso na vida. A pessoa fica apática como se só estivesse vivendo. Por isso eles são chamados de apostadores, e cada um tem um Djinn diferente e um arcano maior também, o arcano de Dante é O Louco e ninguém sabe o que essa carta faz, pois ela não aparece com frequência.

Eu gostei muito da forma que o autor criou as batalhas, eu podia imaginá-las claramente na minha mente. O Djinn subindo pelas paredes, as cartas sendo jogadas, tudo muito real em minha imaginação. O enredo está muito bom, os capítulos são curtos e dão a impressão de que a história está se passando bem rápido. O autor fechou bem o livro, como eu disse lá em cima ele dá gancho para uma continuação e estou ansiosa para saber o que vai acontecer.

Se você gosta de jogos de simulação de cartas ou até RPG de mesa, tenho certeza que vai gostar de Jogos Arcanos, o autor conseguiu construir mundo bem o jogo para que não haja nenhum furo.

Avaliação:
4/5

29 abril, 2019

Bambi e Pocahontas em edição eco-friendly pela editora Wish
abril 29, 20190 Comentários

A editora Wish está na contagem para os últimos dias de campanha e ainda faltam 20% da meta a ser alcançada. A campanha de financiamento coletivo receberá apoios até o dia 06 de Maio. Lembrando que se a meta não for atingida os livros não serão publicados e o dinheiro retornará ao apoiador.


A coleção Filhos da floresta será um box eco-friendly sob o selo de responsabilidade ambiental de papéis. O box traz os títulos “Bambi: uma vida na floresta”, original de 1923 por Felix Salten, e o inédito “Princesa Pocahontas”, romance escrito por Virginia Watson em 1916 com base na história real da famosa princesa indígena. Os dois livros terão em média 320 páginas cada.


“Bambi: uma vida na floresta” deu origem ao filme de animação “Bambi”, lançado pelos Estúdios Disney em 1942, conquistando o coração de jovens e adultos por tratar de temas como infância, morte e abandono. A tradução será feita por Petê Rissatti (alemão), tradutor de livros como Wild Cards.


Já o inédito “Princesa Pocahontas” nos narra, de forma mais fidedigna a partir de uma série de pesquisas realizadas pela autora, a história real sobre a vida da princesa indígena Pocahontas. O livro será traduzido para o português por Carolina Caires Coelho, tradutora de livros como Outlander.

Para financiar a publicação, a editora precisa alcançar a meta de R$67.237,00 reais. Atualmente, já foram alcançados 80% da meta necessária. A campanha seguirá recebendo apoios até às 23h59 do dia 06 de maio.

Sobre:
Ano: 2019
Editora: Wish
Número de Páginas: 640
Outras especificações: capa em papel kraft, miolo papel amarelinho 
Preço: R$ 72,00






22 abril, 2019

[Resenha] Quando ela desaparecer - Victor Bonini
abril 22, 20190 Comentários
Fala galera! Hoje eu trago a resenha do livro "Quando ela desaparecer" de Victor Bonini e publicado pela Faro Editorial. Posso dizer com toda a certeza que esse livro entrou para a lista dos meus preferidos e é um dos melhores que li esse ano. Para vocês terem uma ideia, li 50 páginas no primeiro dia e 220 no outro! Simplesmente não conseguia parar de ler! Victor criou uma história com uma maestria que poucas vezes li em toda minha vida. Tudo se encaixa, não fica nenhuma ponta solta importante e nos surpreende o tempo todo. Por muitas vezes fiquei em dúvida se tudo aquilo não era real, se Kika existiu de verdade e se toda aquela história aconteceu (confesso que até pesquisei no Google). 


É um livro-reportagem feito por Sarah Meireles que acompanhou todo o desenrolar desse caso que chocou não só os cecapianos, mas todos nós que lemos essa obra-prima. Kika é uma jovem que desperta amores e ódio na mesma intensidade por onde passa. No passado, ela sobreviveu por um milagre a uma tragédia e agora quando desaparece sem deixar rastros nem os mais esperançosos acreditam que o milagre irá se repetir. Conhecemos mais sobre Kika através dos depoimentos, relatos do passado e do presente durante o livro, mas a presença da sua ausência é muito forte durante toda a história. Ficamos ávidos por saber o que aconteceu com ela de verdade, descobrir quem é o culpado e se a jovem será encontrada com vida. E a cada nova descoberta da investigação ou nova testemunha que surge vamos entendendo mais sobre o passado da garota Miss Guarulhos Juvenil. Segredos vem à tona e são revelados que causam as mais diversas emoções em nós, leitores: medo, repulsa, ódio, tristeza, dor, compaixão.


Assim como os moradores do Cecap e o Edu Pamonha nos perguntamos: "Cadê a Kika?", "Cadê Justiça?". Quando outra morte surge na história, nossa mente para que vai explodir com o turbilhão de perguntas sobre quem é assassino. Montei várias teorias durante a leitura, assim como o delegado Lauro e vi todas serem reduzidas a pó a cada nova página e revelação da história. Três personagens são tão importantes que fazem a história ser o que é: justamente o delegado Lauro e seu desespero em resolver o caso; a inteligência do detetive Bardelli (inclusive preciso ler os outros livros que ele aparece) e a mãe da nossa protagonista, dona Maria João. Essa mãe é a chave para esse enredo conseguir nos tocar tanto. Sua dor em busca de respostas se sua filha está viva e quem fez isso com ela nos faz querer ajudar a polícia a resolver logo este caso.


Tenho certeza que você vai terminar este livro assim como eu: C-H-O-C-A-D-O. Um reviravolta final que nos deixa completamente zonzos e depois que a explicações chegam percebemos que tudo estava ali o tempo todo! Que plost twist maravilhoso! Que livro sensacional! Se você ama um bom suspense precisa ler esse livro. Super recomendo. Kika jamais irá sair da sua memória. Ela jamais vai desaparecer de sua mente após conhecer a história dela.

Por: Rodrigo Fonseca
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