Cantinho Geek

26 maio, 2018

[Resenha] Ordem Vermelha: Filhos da Degradação - Felipe Castilho
maio 26, 2018 2 Comentários


Parece sério demais começar uma resenha dizendo que muitas vezes o que é expresso na arte reflete o momento histórico em que ela foi produzida?
Parece né? Mas é verdade. Mesmo quando se trata de ficção.

Partindo do princípio que o próprio autor disse que, ao escrever este livro, gostaria de criar uma espécie de Cidade de Deus dentro da Terra Média, podemos notar que há um material interessante e com uma abordagem um tanto ousada para os padrões da indústria. Ainda mais ao apostar em autores nacionais e de fantasia.

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação foi uma das melhores surpresas que encontrei ultimamente. Lançado na CCXP 2017 em parceria com a Editora Intrínseca, este livro nacional dificilmente sairia com críticas negativas de qualquer rodinha (ou cantinho) geek.



Primeiro volume do que está planejado como uma duologia, Ordem Vermelha parte de uma base clássica, por vezes lembrando fantasias já aclamadas. Porém, tem um desenvolvimento próprio e com fortes inclinações nacionais. Isso traz uma identidade quase desconhecida a um público acostumado apenas aos grandes sucessos gringos nos quais a maior parte das editoras apostam.

O primeiro ponto positivo aqui vai para a Intrínseca, que sendo um grande nome do mundo editorial atual, apostou em uma fantasia de autor brasileiro não apenas no processo de publicação, mas também de divulgação. A soma da qualidade do trabalho, da produção do material e do investimento em marketing certamente rendeu bons resultados.

Segundo o Estadão, o livro esteve entre os 20 mais vendidos do catálogo de ficção da Intrínseca. Ficou na frente, inclusive, de grandes best-sellers internacionais que encabeçam as listas de vendas há anos. 



Portanto, quando digo aqui que Ordem Vermelha foi uma leitura sensacional, sei que não sou apenas eu. As vendas corroboram, assim como Amazon e Skoob têm resenhas majoritariamente positivas. E não é por pouca coisa.

A narração é dinâmica e empolgante na maior parte do tempo. Em um trecho ou outro o ritmo se perde, mas não é nada duradouro ou por acaso. E sempre volta atraindo o dobro da atenção.

Em suas 448 páginas você encontra ação, aventura, um tanto de romance, personagens carismáticos e muita representatividade. 



A história se passa em Untherak. No universo do livro, este é o único lugar que permaneceu existindo após os seis deuses representantes de todas as espécies se converterem em apenas uma Deusa de seis faces, chamada Una. Fora de Untherak há apenas a Degradação (daí o subtítulo), um deserto onde apenas bestas mortais habitariam.

 Em Untherak existem seis raças: humanos; kaorshs, que são seres esguios de aspecto humanoide, mas com o poder de colorir e criar ilusões na própria pele; anões; sinfos, que parecem sempre crianças e têm uma conexão única com a música e a pouca natureza restante; gnolls e gigantes.

Ninguém ali é realmente livre e alguns, como Aelian, recebem uma marca no rosto para mostrar que têm uma dívida financeira com Una que, com suas seis faces, observa a todos do enorme monólito erguido em sua homenagem no início de seu reinado imortal de mil anos.

Os marcados são obrigados a viver, dormir e trabalhar no Miolo, o "centro" de Untherak, que faz todo o lugar funcionar. Embora possam comprar a própria semi-liberdade, ainda devem viver sob os desígnios da Deusa Una e dentro dos portões da cidade. O preço exorbitante serve apenas para libertá-los do trabalho exaustivo e das limitações do Miolo — onde muitos preferem permanecer em troca de teto e ração garantidos, já que a vida fora dali não é muito mais fácil. 


Aelian é um humano que serve no Poleiro, cuidando dos falcões que entregam as correspondências em Untherak. Frequentemente é seguido por um dos seus poucos amigos, o falcão Bicofino. Raazi, a outra protagonista, é uma kaorsh que trabalha no Tear, onde produzem os tecidos da cidade. Ambos os personagens são bem diferentes, mas ao mesmo tempo complementares. E se você pensou em romance, pode esquecer. Não é neste clichê que se complementam, mas em ideias e ideais. Raazi, inclusive, já é muitíssimo comprometida com outra kaorsh, que é uma lutadora exímia.

Nenhum dos dois protagonistas está satisfeito com o que acontece em Untherak,mas têm reações iniciais muito diferentes. Enquanto Aelian continua servil até não ter mais escolhas, Raazi embarca com a esposa, Yanisha, em uma missão que elas mesmas reconhecem como suicida.

Como é esperado da criação de um universo inteiro, Ordem Vermelha tem muitos detalhes, minúcias e alegorias. Muitos, mas sem nunca pecar pelo excesso.

Vale mencionar brevemente outros personagens importantes como o sinfo Ziggy, um dos mais carismáticos, a misteriosa Aparição, o anão Harun e a mercenária Venoma. Além de conceitos como a Mácula, um líquido misterioso que há mil anos cobriu o sol e hoje mata, fortalece ou controla aqueles que a ela são submetidos, a Centípede, uma ordem que está sempre no encalço da Deusa Una e Proghon, um guerreiro imbatível, de aspecto aterrorizante e braço direito da Deusa.

O autor Felipe Castilho já foi anteriormente finalista do prêmio Jabuti e alcançou certo renome em editoras menores,. Nesta obra conseguiu balancear tudo perfeitamente e deixar o leitor ansioso para o próximo volume, que infelizmente ainda não tem previsão de lançamento.

Como citado anteriormente, Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é uma obra imperdível, construída de uma forma que o leitor brasileiro se sente ainda mais imerso no universo fantasioso. 






Avaliação 5/5



Já leu o livro? Deixe um comentário com a sua opinião! Principalmente se você, como eu, leu as cenas de batalha da mesma forma que o Felipe escreveu: ouvindo Hamilton.
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25 maio, 2018

[Resenha] Alma? - O protetorado da sombrinha - Gail Garriger
maio 25, 20180 Comentários

Há algum tempo eu tenho tido vontade de ler Alma? - livro steampunk publicado pela Editora Valentina -, já tinha visto várias resenhas, mas nunca alguma que informava o que eu queria realmente saber. Seria apenas uma fantasia policial ou também haveria cenas de um romance? Quem me conhece sabe que adooro um romance bem quente! Eis que fico bem surpresa ao perceber que o livro foge totalmente do conveniente se tratando de seres sobrenaturais e ainda possui um romance para lá de quente! Venha conferir os detalhes desta resenha maravilhosa ;D

24 maio, 2018

[Série] Dead Of Summer
maio 24, 20180 Comentários
Fala galera! Voltei e hoje vou falar sobre uma série que prometia muito, mas infelizmente ficou só na promessa mesmo, afinal depois de 1 temporada, a FreeForm resolveu cancelar Dead of Summer, devido a baixa audiência. Escrita pelos criadores de Once Upon A Time e dirigida por pessoas que trabalharam em Sexta-Feira 13 e Halloween, a série não conseguiu manter o público deixado pela antecessora Pretty Little Liars. Mas apesar disso, confere aí porque você merece dar uma chance para a história!


A proposta da série era meio que fazer um slasher dos anos 80 num acampamento de verão, misturando elementos sobrenaturais para ficar mais atual e pop. Então se você espera ver um assassino à solta matando campistas enquanto eles fazem uma fogueira, pode tirar o seu cavalinho da chuva! Tudo começa quando em 1989, Deb resolve reabrir o Acampamento Stillwater após anos. Ele contrata vários jovens para trabalharem como monitores, todos ex-campistas, exceto pela novata Amy que aceita o trabalho para tentar superar uma tragédia pessoal.  Um dia antes das crianças chegarem ao local, um corpo é encontrado no lago. E a partir daí começam a surgir vários acontecimentos estranhos e paranormais.


O episódio piloto foca em Amy e em sua dificuldade para fazer amigos por durante toda a sua vida não sentir-se parte de um grupo. O segundo episódio é focado em Alex, que é filho de imigrantes russos e tenta fugir da discriminação nos EUA. Já no terceiro episódio o foco é para Cricket e sua relação com o próprio corpo em busca de aceitação. E assim vamos aprendendo mais sobre esses jovens a cada semana. Muito antes da transexualidade ser mais debatida, a série abordou o assunto com a jovem transexual Drew. Temas como suicídio, tortura psicológica e culto satânico (prepara-se para tábuas ouijas, exorcismos e etc) também são discutidos durante os episódios.


Vamos descobrindo ao longo dos episódios mais sobre o passado de cada um dos monitores em seus acampamentos, conhecemos mais sobre seus segredos e sua vida atual. E ainda percebemos que o mal do lugar é mais espiritual e não um psicopata. Isso pode quebrar um pouco as expectativas, mas a série consegue nos prender pelo caminho que a história é conduzida.


Uma outra coisa legal da série é que ela mata seus protagonistas sem dó nem piedade no decorrer da trama, algo bem diferente de outras produções teen do gênero. Claro que a maquiagem e efeitos especiais (que viram defeitos especiais) não são lá aquelas coisas, até sendo um pouco toscos, mas nada que não possa ser relevado.


Não quero dar spoilers, mas a season finale entrega uma outra ‘final girl’ e é recheada de bons momentos de perseguição. As surpresas nos episódios finais nos fazem esquecer os problemas da série e torcer muito pelos últimos sobreviventes! Uma coisa é certa: os últimos episódios promovem um master-blaster plot twist e tem tantas reviravoltas que compensam e salvam a série toda! Assistam!


Se você já viu a série comente aí o que achou! Até a próxima!


Por: Rodrigo Fonseca
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23 maio, 2018

[Resenha] Rita Lee - Uma Autobiografia
maio 23, 2018 2 Comentários

Como meu post de estréia aqui no Cantinho, escolhi resenhar uma das minhas primeiras leituras de 2018. Rita Lee - Uma Autobiografia foi lançado pela Globo Livros em 2016, com 296 páginas de textos e fotos pessoais da cantora.

Adiei bastante a leitura, mas já alerto que não foi por nada negativo. A verdade é que tenho tendência a postergar prazeres e tinha certeza que a leitura deste livro se tornaria um.

 


Veja bem, a Rita não é nada amadora. Além de escrever músicas, essa não foi a primeira aventura dela no mundo das letras. Como autora, publicou quatro livros infantis entre os anos 80 e 90. Em 2013 foi a vez do Storynhas, ilustrado por Laerte, com micro-contos baseados em seus posts no twitter. Depois da autobiografia ainda lançou Dropz em 2017, um livro de contos ilustrado por ela mesma, e está se preparando para o lançamento de FavoRita em junho de 2018, com textos e fotos inéditas.



Ou seja, não seria muito difícil me agradar. Além de ela ter um currículo extenso, gosto bastante de autobiografias e já gostava da Rita desde muito novinha. Além do mais, como fã, este livro foi uma das coisas que mais esperei para ler. [E agora que esse item foi riscado da lista, os deuses da literatura autobiográfica podem liberar as cartas e diários da Greta Garbo que vou adorar, obrigada.]

Rita Lee - Uma Autobiografia tem uma estrutura muito gostosa, já que é escrito inteiramente em uma espécie de coletânea de crônicas e anedotas da vida da artista. E apesar de não ser temporalmente linear, não causa nenhum tipo de confusão.



A escrita é bastante descontraída e meio desbocada, como era de se esperar da autora. Gostei bastante da maneira como ela se vê, além do mais. Tem ao mesmo tempo um misto de orgulho e insegurança quanto ao próprio talento, mesmo com tanto sucesso para provar que ela está errada. É quase uma conversa, onde ela se propõe a contar acontecimentos através da visão alguém com grande influência no cenário musical nacional, ao mesmo tempo em que abre as portas para os bastidores do que estava acontecendo na vida pessoal durante esses períodos.


Com os relatos da Rita você vai poder ver pelos olhos dela um pouco de história também. Como a abertura do Parque do Ibirapuera, a ditadura militar e o exílio de diversos artistas. Vai ler sobre astrologia, drogas, censura, prisão e sobre amor. Tem um pouquinho de tudo ali, partes que formam o todo desta personalidade única, e constroem a história de um dos maiores nomes da música brasileira.
Eu sou grata à ela por tanto que aprendi através do que a música dela me expôs. Se hoje eu tenho uma paixão enorme por cinema clássico, pode ter certeza que um pouquinho de Flagra  me levou a isso.




Ok, sei que no fim das contas isso se tornou quase um ode e não uma resenha. Mas é aquela coisa de fã que teve uma oportunidade de se aventurar em detalhes das memórias de alguém a quem sempre admirou. Portanto, não é surpresa que eu finalize dizendo que o livro é recomendadíssimo. Mesmo para quem não conhece o trabalho dela musicalmente, ele está recheado de relatos interessantes, alguns envolvendo inclusive outros grandes ícones da música.



Em fevereiro de 2018, aliás, a Biônica Filmes anunciou que fará um filme e uma série com base no livro, que de 2016 para cá já se tornou um best-seller.




Avaliação:
5/5



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22 maio, 2018

[Filme] A Morte Te Dá Parabéns
maio 22, 2018 3 Comentários
Fala galera! Hoje é minha primeira matéria para o Cantinho Geek e resolvi falar sobre um filme que foi uma grata surpresa do ano passado. Como um grande fã das franquias "Pânico" e "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado", sentia falta dos filmes sobre killers mascarados. No melhor estilo slasher, A Morte te dá Parabéns (Happy Death Dayse tornou um fenômeno nas bilheterias e arrecadou US$ 115 milhões mundialmente e com um orçamento de apenas US$ 5 milhões. E claro que uma sequência está nos planos da Blumhouse. O motivo do sucesso? Confere aí!

21 maio, 2018

[Vídeo] Vale a pena? - Uma dobra no tempo
maio 21, 20180 Comentários

Oieee!!! Não taquem pedras! Já peço desculpas por ter sumido, mas estou tentando novamente voltar com o canal. E o primeiro vídeo será do novo quadro "Vale a pena?", onde irei falar se compensa ou não acompanhar tal série de livros ou algum livro em específico.

20 maio, 2018

[Resenha] O homem no espelho - Vivianne Sophie
maio 20, 20180 Comentários

Eu já havia feito as primeiras impressões do livro O homem no espelho da autora Vivianne Sophie, assim, quando comecei a ler as minhas expectativas estavam altíssimas e fico feliz por não ter me decepcionado. O livro já está na sua segunda edição pela Constelação Editorial e está sendo muito bem avaliado. Pelos meus elogios vocês já devem imaginar a minha nota, não é? Mesmo assim continue a ler a resenha e se puder deixe um comentário no final do post. Você pode comentar pelo blogger ou pelo Facebook, sua opinião e interação é muito importante para nós.

18 maio, 2018

[Resenha] Insígnias de Karol Blatt
maio 18, 20180 Comentários
E aí, pessoal! Hoje falarei um pouquinho sobre esse livro maravilhoso que tive a chance de conhecer: Insígnias, da autora Karol Blatt.




O que me chamou atenção para o livro foi o fato de sua história ter ocorrido no período nazista. E já nas primeiras páginas do livro, Hadassa Belshoff, uma jovem judia, é separada de sua família pelos alemães, ficando apenas junto de sua irmã. Sua personalidade forte e corajosa, chama a atenção do oficial Ahren Müeller, que a leva para trabalhar em sua residência familiar, na Polônia, separando-a de sua irmã. Ahren é um homem frio, insensível e que segue a ideologia nazista sem pestanejar, declarando seu total ódio e desprezo aos judeus.



Assim que chegou a residência, Hadassa trabalhou demais nos afazeres da casa, sofria diversas humilhações e vivia em condições precárias. Dentro desse tempo, ela se aproximou de uma pequena menina chamada Lindie, que era irmã caçula do oficial Ahren. As duas, instantaneamente, criaram uma ligação muito forte, pois Lindie era inocente o bastante para que não visse Hadassa de outra forma, se não como uma fonte de carinho materno. 
Enquanto o tempo passava, as coisas começaram a mudar entre Hadassa e Ahren. Os olhares, as palavras, a forma como ele se dirigia a ela, fazendo com que sentimentos controversos e difíceis de aceitar surgissem. Nesse tempo, é como se toda a verdade atrás da ideologia nazista caísse por terra para Ahren e ele começa a enxergar o quão aquilo era horrível, justamente após Hadassa ter tomado uma atitude de grande coragem.



Somos colocados diante de vários questionamentos e conseguimos saber exatamente quais são os conflitos que se passam dentro do coração de Hadassa. Além de todo esse turbilhão de sentimentos indefinidos e estranhos, também existe todo o conflito da guerra, do sofrimento que os judeus passavam naquele momento e a separação que Hadassa sofreu. Era como se em nenhum dia de sua vida ela esquecesse de seus queridos familiares e nunca perdesse a esperança de um dia encontrá-los. 
Diante de tantas dúvidas de como seguir adiante em um mundo que estava em guerra, ainda mais por eles estarem em lados opostos, Ahren e Hadassa ficam determinados a passar por cima de tudo e todos para seguirem com suas decisões e que inclusive os deixam em risco de vida. 




Insígnias é um livro cativante e que realmente me prendeu do início ao fim. É interessante ver Ahren mudar sua visão diante de algo em que ele acreditou por grande parte de sua vida e ver como foi trabalhado a parte emocional dos personagens em um período de grande horror. É um livro que, no fim das contas, faz você ver que sim, as pessoas podem mudar, podem se arrepender e podem ver as coisas que costumavam fazer de ângulos diferentes. 
Algo mais que me chamou atenção além da sinopse, foi a capa. Achei simplesmente maravilhosa. 
É um livro que recomendo muito para quem gosta de drama e romance escrito por autoras brasileiras.



Nota: 4/5



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