Cantinho Geek

06 setembro, 2019

20 agosto, 2019

[Resenha] O Momento de Voar — Como o empoderamento feminino mudou o mundo de Melinda Gates
agosto 20, 20190 Comentários



Lançado ainda esse ano no Brasil pela editora Sextante "O Momento de Voar — Como o empoderamento feminino mudou o mundo" foi escrito pela americana Melinda Gates (co-presidente e co-fundadora da Fundação Bill e Melinda Gates, ex-funcionária da Microsoft e também esposa de Bill Gates) contando um pouco sobre a sua experiência e seus projetos ao redor do mundo para empoderar mulheres, como eles iniciaram e qual a importância deles não só para a vida feminina, como também para suas famílias, para a economia e até para a sociedade como um todo.

"Quando nós, mulheres, podemos decidir se e quando teremos filhos; quando podemos escolher se, quando e com quem vamos nos casar; quando nós, mulheres, temos acesso ao serviço de saúde, contribuímos com nossa parcela justa de trabalho não remunerado, recebemos a educação que desejamos, tomamos as decisões financeiras e que precisamos, somos tratadas com respeito no trabalho, desfrutamos dos mesmos direitos que os homens e ascendemos com a ajuda de outras mulheres e de homens que nos ensinam a estar na liderança e nos apoiam para ocupar cargos mais altos, nós prosperamos... e nossas famílias e comunidades prosperam conosco."

Inicialmente, Melinda fala da importância do planejamento familiar. Em regiões da África e da Ásia, principalmente, há mulheres que nunca souberam sobre métodos contraceptivos e nem tiveram acesso a eles. Meninas casam-se muito cedo e desde então passam a ter filhos atrás de filhos, muitas vezes parindo mais crianças do que podem sustentar e criar. Com uma gestação atrás da outra, as mães ficam cada vez mais doentes, os filhos com menores índices de educação, menos alimentos e também suscetíveis a mais doenças. É um ciclo que se repete e quanto mais gravidez, mais misérias e menos oportunidades. 

Diante desse cenário, Melinda e seu esposo notaram a necessidade de projetos que levassem o planejamento familiar também para áreas afastadas e pobres. E aos poucos, a autora narra histórias de mulheres que conheceu que andavam vários quilômetros para receber uma injeção contraceptiva, porque sabiam da importância dela. E muitas vezes, faziam isso, sem o conhecimento do marido, que poderia não gostar da ideia de planejar as gestações.


Melinda também conta da dificuldade que essas mães têm na hora do parto, os costumes que estão arraigados na cultura na qual vivem e que são prejudiciais inclusive para os bebês. Há o caso de uma mãe que pariu e seu bebê foi deixado ao chão, sem proteção, no frio e estava morrendo de hipotermia. Há outros em que as crianças logo que nascem são deixadas dias sem serem alimentadas. Para superar tudo isso, a fundação dos Gates investiu em capacitação profissional para dar assistência aos partos e também num maior contato com cada comunidade, gerando discussões conversas e mostrando pouco a pouco quanto algumas práticas culturais são equivocadas e prejudicam mães e crianças.


Outros temas abordados no livro são a mutilação genital feminina, casamento infantil, a privação feminina de frequentar a escola, as mulheres na agricultura e o trabalho não remunerado em casa. Esse último, com projetos onde marido e esposa trocavam de lugar e só então eles percebiam o quanto elas trabalhavam, sendo sempre muito mais horas do que eles em seus empregos fixos. Há também um caso de mulheres que caminhavam mais de 20 km diariamente para buscar água. Um dos maridos foi convencido a ficar responsável por essa tarefa, e notou que sua esposa passou a ficar mais descansada, saudável e feliz. Ele espalhou isso aos demais maridos e muitos deles assumiram a tarefa também e então, para evitar caminhar os 20 km optaram por ir de bicicleta, depois criaram formas ainda mais fáceis de pegar água.

Isso só ocorreu porque eles, que tinham poder de ação dentro da comunidade, colocaram-se no lugar delas e perceberam as dificuldades que enfrentavam. Possivelmente se as mulheres prosseguissem realizando a tarefa, nada mudaria. Elas não têm voz e espaço para fazer as mudanças ocorrerem. O mundo delas é isolado. Só quando alguém se pôs na pele delas foi que notou suas necessidades e pôde agir. Por isso é tão importante a participação feminina na sociedade, na política, na economia e nas empresas. Elas, mulheres, notam necessidades diferentes, notam novos nichos de mercados, outras dificuldades e a diversidade étnica cultural, de gênero, idade, etc só tem a agregar.



Alguns trechos em que a autora contava a história de mulheres de mundo muito diferente dos dela eu senti um tanto de superficialidade na narrativa. Entretanto, no capítulo em que Melinda aborda as dificuldades da mulher no mercado de trabalho e conta suas próprias experiências nas empresas do Vale do Silício foi um dos meus preferidos. Não sei se é porque é uma das partes em que mais se assemelha a minha realidade ou se simplesmente ela fala com maior propriedade do que já viveu. A autora também aborda o movimento #MeToo e como pouco a pouco estão mudando a cultura machista das grandes empresas. E há momentos também que conta um pouco mais de sua relação e a parceria com o marido Bill Gates.



"Uma menina que recebe amor e apoio pode começar a derrotar a autoimagem que a mantem prisioneira. À medida que ganha autoconfiança, vê que pode aprender. À medida que aprende, enxerga os próprios dons. À medida que desenvolve esses dons, compreende o poder que tem e se torna capaz de defender os próprios direitos. É isso que acontece quando oferecemos amor, e não ódio, às meninas. Levantamos o olhar delas e elas ganham voz própria." 

"O Momento de Voar — Como o empoderamento feminino muda o mundo" é um indispensável para se entender a importância do feminismo e mais do que isso recordar o quantos as mulheres ainda estão distante da equidade com os homens, principalmente em países menos desenvolvidos e pobres. Muitas vezes, esquecemos o quanto somos mulheres privilegiadas e quanto já conquistamos, mas Melinda, nesse livro, faz com que recordamos e descubramos o quanto ainda temos a conquistar e como essas conquistas podem beneficiar a todos.


Avaliação: 
4/5

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05 agosto, 2019

[Resenha] Eu sou Malala - Malala Yousafzai e Christina Lamb
agosto 05, 20190 Comentários

"O Talibã podia tomar nossas canetas e nossos livros, mas não podia impedir nossas mentes de pensar." (Eu sou Malala - Página 156)

A frase acima, retirada do livro "Eu sou Malala" define bem a ideia principal da obra. Escrito em conjunto por Malala Yousafzai e a jornalista Christina Lamb, em forma de biografia e  lançado em 2013 no Brasil pela Companhia das Letras, o livro conta a história da garota paquistanesa que lutou desde cedo pelo direito à educação e pelo direito das mulheres, e que aos 15 anos foi baleada na cabeça pelo grupo extremista Talibã e, ainda assim, sobreviveu.

O livro conta desde o nascimento de Malala, sua infância comum até poucos meses após o atentado que sofreu, seu tratamento na Inglaterra e a adaptação à nova vida, longe de casa.


"Quando ouvia as histórias sobre as atrocidades que aconteciam no Afeganistão, eu celebrava o Swat. Aqui uma menina pode ir à escola, eu dizia. Mas o Talibã estava logo ali, na esquina, e era pachtum como nós. Para mim, o vale era um lugar ensolarado. Não puder ver as nuvens se juntando atrás das montanhas. Meu pai costumava falar: 'Vou proteger sua liberdade, Malala. Pode continuar sonhando.' " (Página 17)

Malala nasceu no Swat, uma região do Paquistão, que ao longo dos anos foi tomada pelo Talibã. Seu pai era o dono de uma escola, e realizava seu sonho ao ensinar e mudar a vida de crianças com a educação, inclusive dando bolsas de estudo gratuitas a muitas delas e permitindo que meninas e meninos estudassem em um mesmo local.

Mesmo no início da infância de Malala, na época ainda de calmaria, as mulheres não costumavam estudar. A própria mãe da garota era analfabeta. Já nessa fase, o pai de Malala era um defensor da educação para todos, e convencia as famílias a deixarem suas filhas frequentarem a escola. Apesar disso, as meninas e mulheres possuíam certa liberdade e podiam sair pela cidade sozinhas e sem estarem completamente cobertas. A elas também era permitido que estudassem e tornassem-se no futuro professoras ou médicas. Malala, entretanto, sempre sonhou em ser política e ajudar seu povo.


"Um homem sai pra trabalhar, recebe salário, volta para casa, come dorme — é isso que ele faz. Nossos homens pensam que ganhar dinheiro e dar ordens é ter poder. Não percebem que o poder está nas mãos da mulher, que passa o dia cuidando de todos e que dá à luz. Em nossa casa mamãe administrava tudo porque meu pai vivia ocupado. Era ela que acordava cedinho, passava nossos uniformes escolares a ferro, preparava nosso café da manhã e nos ensinava como devíamos nos comportar. Era minha mãe que ia ao mercado fazer compras e cozinhas. Tudo ficava a seu encargo."  (Página 126)

Mostrando os diversos percalços que a família enfrentou parar abrir uma escola e o dia a dia de Malala, o livro aborda uma menina comum, com pensamentos e desejos comuns, que pouco a pouco foi crescendo, amadurecendo e tornando-se uma pessoa consciente e ativa politicamente. Vemos uma Malala competitiva, que disputava ano a ano o troféu de melhor aluna da escola e chorava quando não ganhava. Vemos também suas diversas brigas com Molina (sua melhor amiga), a vez em que, ainda na infância, roubou algumas jóias de uma amiga porque não tinha peças semelhantes. Malala é uma menina como qualquer outra, que brinca com os vizinhos, briga com os irmãos, leva bronca dos pais e se diverte em passeios. Conhecemos sua cor preferida (rosa), sua dificuldade em matemática e a necessidade de estudar mais física, o desejo de impressionar o pai, entre tantas outras coisas.

Mas vemos aqui também, o crescimento do Talibã na região onde mora. Tudo inicia com um programa de rádio feito diariamente e que informa a população seus preceitos e seus ideias, dizendo o que é pecado, o que não é e como as pessoas deviam viver. Começa aqui a pregação contra a educação de meninas, o desejo de que elas fiquem em casa, se cubram e não cometam nenhum pecado. Aos poucos, vemos cidadãos seduzidos com a proposta de novo mundo islâmico e de jihad que o Talibã oferece. Conhecidos e até mesmo professores da escola do pai de Malala largam tudo para servir ao Talibã. Mulheres vendem suas joias e oferecem suas economias para financiar o grupo terrorista. E pouco a pouco ele vai ganhando importância e ditando as regras, matando aqueles que consideram pecadores e incorporando uma rotina de medo e violência à região.



Porém, isso não acontece sem resistência. Diversas pessoas tentam se opor ao grupo. Uma das principais sendo o pai de Malala, que começa a discursar a favor da educação e ao fim da violência em diversos locais e meios de comunicação. Muitas vezes, ele levava a filha junto e os jornalistas estrangeiros ficavam encantados ao ver uma criança e uma garota falando das proibições que sofria e ainda em inglês! (Língua que ela aprendeu na escola e com o pai.)

E é preciso que se diga que Malala e o pai não estão sozinhos. Há diversas outras meninas, pais, filhos, famílias, professores e mulheres que lutam pela volta da paz ao Swat. Malala é apenas um reflexo do meio em que vive, sendo como diversas outras garotas da escola que também sonhavam grande e iam para a escola escondido da sociedade. Mas a família dela é o essencial para que ganhasse tanto destaque. Não só o pai, que sempre foi ativista da igualdade dos sexos e da educação, mas também a sua mãe, que apesar de analfabeta, sempre soube muito sobre a vida e sempre demonstrou ser uma mulher forte e decidida, que permitia que a filha se expusesse, quebrava algumas regras e viveu muito tempo enfrentando as ameaças à vida de sua família.


"Querido Deus
Sei que o Senhor vê tudo, mas há tantas coisas que às vezes alguns detalhes podem passar despercebidos, sobretudo agora, com o bombardeio do Afeganistão. Mas acho que o Senhor não ficaria feliz se visse a maneira com algumas crianças da minha rua estão vivendo, num lixão. Deus, me dê força e coragem e me aperfeiçoe, pois quero transformar este mundo num mundo perfeito.
Malala."  (Página 98)

Após alguns anos, a situação do Talibã na região tornou-se insustentável. Muitos dos moradores locais já haviam ido embora ou sido mortos. Os que permaneciam viviam em constante medo e terror psicológico, tendo que obedecer às regras impostas pelos terroristas. Diversas escolas foram explodidas e, após um tempo, todas as que atendiam a alunas mulheres foram fechadas, incluindo a de Malala e seu pai.

A família, então, teve que migrar e mudar para outras regiões, onde permaneceu por algum tempo, enquanto o exército enfrentava os talibãs e liberava o vale para que a população pudesse retornar. Demora alguns meses, mas eles enfim retornam para casa. O talibã foi derrotado e ninguém mais achava que eles demonstrassem algum perigo.

Apesar disso, não é o momento de tranquilidade no Swat. Algumas catástrofes ambientais acontecem na região, entre elas uma enchente, que prejudica ainda mais a situação de um povo que tentava se reerguer. Mas aos poucos eles vão se recuperando e as coisas voltam a ser como antes, pelo menos superficialmente. Até as escolas são reabertas e Malala e as colegas podem voltar a estudar.


"'A vida não se resume a inspirar oxigênio e expirar gás carbônico. Você pode ficar aí, aceitando tudo que o Talibã ordena ou pode resistir a eles.'" (Página 132) 

Mas logo começam as ameaças à vida ao pai de Malala e à ela. O pai dela já sofria ameaças antes, mas agora elas tornam-se mais intensas. E ninguém acredita que os talibãs teriam coragem de matar uma criança inocente, como a garota. Mas apesar disso, ela é atacada e é baleada, juntamente com outras dua colegas.

O disparo acerta Malala próximo à sobrancelha esquerda, sem atingir seu cérebro e a bala se aloja próximo ao seu ombro. Entretanto, a situação dela torna-se grave, estilhaços de ossos atingiram a massa encefálica e ela é operada. Na operação, realizada por um médico paquistanês experiente em operar militares feridos, parte do crânio é retirado, para que o cérebro possa permanecer inchado sem maiores problemas, e o pedaço do osso é guardado dentro da própria menina, especificamente, abaixo da pele do umbigo, onde poderia ficar armazenado e ser utilizado após alguns meses.

Malala fica em coma induzido por algum tempo e, enquanto isso, ganha destaque na mídia internacional, tornando-se conhecida em todo mundo. Com isso, esforços se unem e a garota é enviada em estado grave para a Inglaterra, onde é tratada por especialistas e permanece por mais um tempo desacordada. Quando desperta, após semanas, encontra-se em um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas, sem sua própria família (que por burocracias, permaneceu no Paquistão por mais um tempo) e sem conseguir se comunicar com ninguém, seja por escrita ou fala.

Mas aos poucos ela vai se recuperando, descobrindo o que aconteceu e recobrando a memória. Sua família também consegue viajar para a Inglaterra e acompanha o tratamento da menina, que passa por novas cirurgias, uma pra religar um nervo facial e recuperar o movimento do lado esquerdo do seu rosto, corrigir um problema de audição e colocar uma chapa de titânio no crânio (o pedaço do osso guardado não pode ser utilizado).

Após isso, ela e a família permanecem morando na Inglaterra, Malala passa a conhecer e atuar no mundo todo, mas eles não conseguem retornar ao Swat, que é o grande sonho dela. (Pesquisando depois, descobri que ela conseguiu voltar e reencontrar amigos e vizinhos em 2018, mas como o livro foi publicado em 2016, isso ainda não havia acontecido).
"Comecei a entender que a caneta e as palavras podem ser muito mais poderosas do que metralhadoras, tanques ou helicópteros. Estávamos aprendendo a lutar. E a perceber como somos poderosos quando nos manifestamos." (Página 167)


E pra finalizar, gostaria de dizer que "Eu sou Malala" é um livro inspirador e emocionante, uma das melhores leituras de 2019 até o momento, que mostra além de uma menina que lutava pela educação e pelo feminismo e tornou-se símbolo mundial, mostra uma garota humana e comum, como qualquer um e mostra como todos podemos fazer a diferença. Também, através do livro pude aprender mais sobre a região do oriente médio e seus conflitos, a formação de grupos terroristas e a influencia que os Estados Unidos tem na área e o quanto isso interfere a política externa deles.

"Eu sou Malala" é um livro que rompe com os estereótipos dos muçulmanos,  mostra que não devemos ter preconceito e que como qualquer outra, é uma religião que prega o amor e a paz, a igualdade, mas que acaba sendo interpretada de maneira equivocada e usada para fins não nobres. A própria Malala admite isso. Ela repete diversas vezes que em nenhum lugar do Alcorão há algo dizendo que as mulheres devam ser tratadas como inferiores aos homens ou servi-los, pelo contrário, o Alcorão prega que todos busquem conhecimentos, inclusive elas e sejam iguais. E é por isso que Malala luta.

Avaliação: 
5/5











15 julho, 2019

[Filme] Us (Nós)
julho 15, 20190 Comentários

Ontem eu assisti o filme Us (Nós) do Jordan Peele, mesmo diretor do filme Get out! (Corra!). Como o primeiro filme, Get out!, foi espetacular. Fiquei muito ansiosa para assistir esse segundo filme do mesmo diretor. Para começar eu já quero elogiar os atores, são ótimos.

Us começa mostrando uma família com uma filhinha em um parque de diversões. Ela deve ter em torno de sete a dez anos, e em um momento de distração dos pais ela sai de perto deles e entra em uma casa de espelhos. Em uma situação tensa, a menina acaba encontrando uma cópia dela mesma naquele lugar, a cena corta e vamos para o presente. 



Essa menina cresceu, ela se chama Adelaide, é casada e tem dois filhos. Ela está atualmente voltando para aquele lugar onde ocorreu o trauma de sua vida, e seu marido, Gabe, quer muito ir a praia (onde fica o parque de diversões). Ela reluta em ir, mas acaba indo. Depois de voltarem para casa e escurecer, seu filho mais novo diz que tem uma família de mãos dadas em frente a casa deles.


Gabe tenta pedir que vão embora enquanto Adelaide já começa a ligar para a polícia. O que acontece em seguida é uma loucura, porque aquelas pessoas, são eles. Identicamente. Nesse momento, Adelaide pergunta o que eles são, e a Red Adelaide - vou chamar assim para separar, pois eles só vestem vermelho - diz que eles são experiências governamentais. Foram criados identicamente as pessoas para que o governo pudesse controlá-las, mas eles não conseguiram replicar a alma, então, o experimento falhou e eles foram abandonados. Mas como eram corpos idênticos, as cópias, realizavam os mesmos movimentos que o pessoal de cima - as cópias ficam no subsolo.


O filme então entra em um frenesi da família tentando sobreviver às suas cópias que querem se desvincular. Com o tempo vamos entendendo mais o que está acontecendo e nos é revelado o surpreendente final que eu não vou contar, claro. O final é tão surpreendente que eu quero assistir o filme de novo com essa nova perspectiva.

Tenho tantas coisas para falar, teorias e tudo mais, só que não posso. Não vou dar spoilers, então se alguém quiser bater um papo sobre o filme me mande um direct no instagram @cantinhogeek.

Você já assistiu o filme? O que achou? Surtou igual eu?


Avaliação:
4/5

17 junho, 2019

[Resenha] Corações Quebrados - Sofia Silva
junho 17, 2019 4 Comentários

A resenha de hoje é de um dos livros da escritora portuguesa Sofia Silva, que lançou suas obras da série Quebrados pela editora brasileira Valetina. O da resenha de hoje, "Corações Quebrados", é o segundo da série e foi lançado em 2018, mas pode ser lido por quem ainda não leu o primeiro, pois não é necessariamente uma continuação e conta a história de amor de novos personagens marcados por problemas psicológicos ou abusos.

Corações Quebrados conta a história de Diogo e Emília, ele um soldado português que abandona a carreira militar e tenta seguir sua vida após a morte de seus amigos e companheiros de farda; e ela uma jovem brasileira, estudante de veterinária e que após um grave acidente de trânsito em que perdeu pais e irmãos e sofreu danos físicos irreparáveis, entrou em depressão e até mesmo tentou tirar sua própria vida.


A história começa quando Rafaela, tia de Emília e sua psicóloga, entra em contato com Leonardo, psicólogo e amigo de Diogo, após ler um artigo dele sobre a recuperação de soldados no pós-guerra. Ela acredita que a experiência dele pode ajudar a tirar a sobrinha da depressão e trazê-la de volta à vida. A ideia é intermediar uma aproximação online de Diogo e Emília através de um chat na internet, onde ambos poderão conversar e trocar experiências, tudo intermediado pelos profissionais.

E assim acontece, apesar da resistência inicial de Emília, eles começam a conversar e a trocar confidencias e dificuldades, tentando auxiliar-se mutuamente ao mesmo tempo em que também conhecem mais um sobre o outro. Aos poucos eles vão se aproximando, estreitando a amizade e passam do chat observado por seus psicólogos para conversas em outros locais mais privados.


Já de início, Diogo se sente muito melhor conversando com Emília e supera o que restava de seus traumas, retornando às atividades antigas e buscando ao máximo saber mais sobre ela, fazê-la ficar bem e impressioná-la. Mas a brasileira não se abre tanto quanto ele e mantém uma aura de mistério, principalmente em relação ao acidente que sofreu, além de uma autoestima baixa e muita insegurança. O que faz com que ele tente cada vez mais saber sobre ela e descobrir o que ocorreu, inclusive perguntando ao seu próprio psicólogo, que se nega a contar.

Mas o relacionamento — mesmo à distância — avança e os dois passam a se falar diariamente por ligação e por vídeo, e Diogo, inclusive, apresenta Emília à sua família e, online, faz com que ela participe da ceia de natal deles e comemore o ano novo junto com ele.

Tudo vai muito bem e ele começa a imaginar uma vida com ela, até que...


Sem explicação ela manda uma última mensagem se despedindo e dizendo que não gostaria mais de conversar com ele, excluí suas contas nas redes sociais e some, sem dar chance dele perguntar o que aconteceu. Como é de se imaginar, Diogo enlouquece e como única solução vem para o Brasil atrás dela.

A partir de então, eles se encontram pessoalmente e Diogo descobre que após o acidente ela precisou amputar uma das pernas, possuí diversas cicatrizes, principalmente na região da barriga, e que após descobrir tudo isso foi que o antigo noivo dela a deixou, tornando-a ainda mais insegura, triste e depressiva. E agora pessoalmente, Diogo precisa lidar com todos os traumas dela, esperar o tempo dela para avançar na relação e provar dia após dia que a ama e não vai desistir dela.


Tudo isso acontece basicamente em apenas um terço do livro e os dois restantes são juras de amor, drama, dificuldades de avançar a relação, histórias e momentos românticos no geral. Antes da metade do livro, a obra torna-se repetitiva, melosa e dramática em excesso, sempre com juras apaixonadas do Diogo e inseguranças da Emília.

Também é importante dizer que o livro é narrado em primeira pessoa e sobre o ponto de vista intercalado dos dois personagens principais — apesar de ter um único capítulo aleatório e desnecessários narrado pela Rafaela — e consiste basicamente em duas coisas: diálogos e fluxos de pensamentos. Não há descrições de locais, ambientes e personagens, ou mesmo ações, somente as falas e os pensamentos do narrador daquele capítulo e quase sempre centrado no amor e no par romântico. Inclusive, em alguns diálogos com mais personagens, me perdi um pouco nas falas, sentindo falta de incisos que descrevessem quem é que estava falando.

Outra coisa que me incomodou bastante foi a escrita em português de Portugal. Entendo que a autora é de lá e escreve assim, e tudo bem o Diogo dizer "Amo-te" e usar próclise e mesóclise corretamente em conversas informais. Porém, em diversos momentos personagens brasileiros falavam como os portugueses, usando expressões deles e estrutura de frases semelhantes às portuguesas. Como o livro foi lançado por editora brasileira, no Brasil, o revisor poderia ter alterado algumas expressões e palavras, tornando-as mais naturais para brasileiros nativos.


Em relação à trama, personagens e enredo também tenho algumas críticas: os personagens me pareceram superficiais demais. Diogo é o cara perfeito que em poucas palavras curou-se completamente de seus medos e traumas e está sempre disposto a ajudar os outros e fazer juras e juras de amor incansáveis e em formas de poema. Mas não há nada de humano nele, nada que me toque ou faça eu me apaixonar pelo personagem. Sua vida gira em torno de Emília, e é isso. Inclusive, acho que ele se mete bastante em coisas que não tem conhecimento, como na vez em que fez um dos garotos da clínica, Cauê, que sofreu abusos sexuais e tem um passado sombrio, espancá-lo porque segundo ele, aquilo faria com melhorasse. Com base no que ele diz isso? Como ele sabe? Nunca fez psicologia. Nunca se especializou na área. Apenas viveu e superou seu próprio passado que é completamente diferente do dos outros. O mesmo vale para quando, quase no final, ele abandona Emília porque acha que ela precisa superar o restante de  seus medos sozinha e que só poderá voltar a vê-lo quando tiver melhor e sem medos, mais segura de si e recuperada completamente. Quando que na vida real isso não seria um novo baque e um novo motivo de desânimo e depressão pra alguém que está se recuperando? A moça ainda estava mal, ainda vivia na clínica, convivia com o amor da sua vida 24 horas por dia, dormia no mesmo quarto que ele, dividia tudo com ele e aí do nada o cara some e ela fica bem? Não sente sua falta? Ou fica triste e depressiva?

Também vale a ressalva de que em muitos momentos senti que se formava um relacionamento abusivo entre os dois personagens. Ambos eram muito dependentes um do outro e nada existia além do amor e do romance entre eles. E sabemos que estruturar uma nova vida tendo como base um relacionamento tem altas chances de dar problema, né?


Fora tudo isso, o livro tem seus pontos fortes: a diagramação e a edição da editora Valentina está lindíssima! A capa é maravilhosa e a narrativa conta com diversos poemas e frases de amor, escritos pelos próprios personagens, a leitura é leve e rápida e para quem gosta de  muito drama, declarações de amor e superação o livro é ótimo!

Também trago como positivo o trabalho da autora na forma de abordar a depressão da Emília e a sua deficiência, assim como fazer os personagens conversarem sobre diferenças entre Brasil e Portugal e de forma despretensiosa trazer informação e conhecimento aos leitores.

Se você gosta de romance, drama, e uma história pra ler e esquecer da vida, sem muitas decepções e tristezas, vai gostar de "Corações Quebrados"!

Avaliação: 
3/5
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03 junho, 2019

[Resenha] Cartas no corredor da morte - um terror psicológico de Cláudia Lemes e Paula Febbe
junho 03, 20190 Comentários

Cartas no corredor da morte é um livro publicado pela Monomito Editorial neste ano de 2019. O livro foi escrito pelas autoras Cláudia Lemes - mesma autora do sucesso de Eu vejo Kate e Inferno no Ártico -, e a autora Paula Febbe - mesma autora de Metástase.

O livro é curtíssimo, mas mesmo com apenas 124 páginas consegue envolver o leitor em uma narrativa surpreendentemente gore e chocante. A narrativa é formada por cartas trocadas entre dois serial killers: Steve Gurniak e Johnny Love. Ambos estão no corredor na morte e se apegam a essas cartas em seus momentos finais. No caso de Love, a sua sentença já está marcada, no entanto, a de Gurniak ainda não foi marcada, mas devido a seus crimes, ele sabe que a morte será a sua sentença.

Tudo começa com a curiosidade de Love em Gurniak, pois ele é um famoso serial killer que passou em todos os canais de TV, mas que foi preso pois sua vítima conseguiu fugir. Gurniak se considera um salvador, alguém que está limpando o mundo da sujeira. Enquanto Love confessa que seus crimes eram sexuais, ele vivia para o sexo. De todas as formas.


Assim, os dois serial killers vão trocando cartas e contando um pouco mais sobre suas vidas e como se tornaram o que são. As cartas são bem cruas, as descrições são chocantes e eles se sentem bem com aquilo. Era normal para eles, era bom até certo ponto. Para mim, as descrições de Love são chocantes, a forma como ele se tornou o que era, tudo muito cru e cruel. A vida de Gurniak também é cruel, e percebemos como suas vidas os levaram até ali. Claramente traumatizados e perturbados desde a infância.

Através das cartas percebemos suas convicções e visões de seus crimes. É tudo muito perturbador e fico admirada pelas autoras conseguirem fazer isso tão bem. Cláudia Lemes fez as cartas de Love, já Paula Febbe fez as cartas de Gurniak. A narrativa por cartas não me incomodou de forma alguma, aliás, para este livro, é perfeita. Não vejo outro modo de como Cartas no corredor da morte poderia ser escrito senão por cartas. É genial!

Como o livro é muito curto, tenho medo de contar demais e acabar a graça do livro. Assim, recomendo esta ótima leitura para os amantes de serial killers. Vocês vão adorar!


Avaliação:
5/5

27 maio, 2019

[Resenha] Todo Dia a Mesma Noite: A história não contada da boate Kiss - Daniela Arbex
maio 27, 20190 Comentários

"Todo Dia a Mesma Noite: A história não contada da boate Kiss" é um livro-reportagem escrito pela jornalista brasileira Daniela Arbex sobre a tragédia ocorrida em Santa Maria (RS) na boate Kiss em 2013, que vitimou 242 jovens e feriu mais centenas, além de mudar completamente a rotina de uma cidade. A obra foi publicada ano passado (2018) pela Intrínseca e tem 248 páginas.

Antes mesmo de começar a leitura, pelas lembranças que tinha do caso, já soube que seria uma leitura pesada e extremamente tocante. Logo que iniciei, até pensei em desistir, mas felizmente não o fiz. E apesar disso, nas primeiras páginas, fiquei um pouco frustrada com a narrativa e o desenrolar da obra. Como comum a qualquer livro-reportagem, cada fato e personagem era inserido juntamente com muitas outras informações, ao ponto de eu — acostumada apenas com livros literários — me atordoar e achar excesso de informações.

E essa é minha primeira crítica: a autora demorou para pegar o ritmo da narrativa e conseguir fazê-la fluir. Foram vários capítulos, com dezenas de personagens — pais, jovens, médicos, de diferentes idades, profissões, cidades — que faziam diversas coisas e sempre de forma rápida e superficial. A narrativa não me tocava. As histórias das pessoas reais, contadas no livro, não me tocavam. Não havia nada que me emocionasse, era apenas a narração seca e sem floreios própria de uma jornalista (e não que estivesse errado, afinal era justamente esse o objetivo do livro, narrar o acontecimento jornalístico). Também, me chamou a atenção os diálogos irreais, simples e forçados, que além de, ao mesmo tempo não condizerem com a linguagem informal, típica das conversas do dia a dia, também simulavam um sotaque gaúcho caricato, exagerando na utilização do "bah",  do "tu estás" e de outros regionalismos.


Apesar do começo lento, aos poucos Daniela vai retomando a história dos pais e dos jovens citados anteriormente, aprofundando suas histórias e sempre abordando seus passados e sonhos futuros. E não só deles, o livro conta também sobre alguns dos profissionais que atuaram  no acidente, principalmente os que tentaram salvar vidas — médicos, bombeiros, enfermeiros. Em alguns pontos, inclusive, a autora romantiza algumas atitudes, abordando sempre apenas os lados bons, altruístas e positivos dos envolvidos, sem dar margens pra mostrar personagens humanos. Principalmente dos que morreram. Todos eles eram perfeitos, bons filhos, bons estudantes, e com uma carreira de sucesso pela frente.

A primeira vez que me emocionei de verdade com o livro, foi a partir da página 140, quando a autora conta a história de Maria Aparecida Neves e o dilema dela ao ter que escolher a última roupa que o filho Augusto usaria em seu velório. A partir disso, a narrativa retorna dezenove anos no passado, fazendo um paralelo com a primeira roupa que ela escolheu para o filho usar: no dia em que foi adotado por Maria e seu marido. De família negra, pobre e evangélica, Augusto cresceu como o orgulho dos pais, sendo o primeiro da família a frequentar uma universidade e fazendo com que seus pais não medissem esforços para dar-lhe todo o necessário. O rapaz se formaria em 2017 e não era muito de festas. Sua mãe, inclusive, não gostava que ele frequentasse aquele tipo de ambiente, principalmente devido a religião deles. Mas, apesar disso, ela sabia que o filho estaria na festa aquela noite e até aprovava que ele se divertisse um pouco. Inclusive, depois, na narrativa do enterro do rapaz, há uma suave crítica quando um dos pastores chama o pai de Augusto e lhe diz que a morte do filho deles foi merecida, pois o garoto estava em um ambiente inadequado e pecaminoso.

Há também no mesmo capítulo, outra história contada com base na escolha da roupa que a vítima vestiria ao ser enterrada. Lucas, um jovem estudante e amante das tradições de seu estado, que gostava tanto de andar pilchado que queria ter ido àquela noite na festa da Kiss usando bombacha, lenço vermelho e guaiaca. No fim, pra ir à boate, foi convencido a usar calça jeans e camiseta, mas em seu velório, satisfazendo o último desejo do filho, sua mãe o colocou a roupa gaúcha que tanto queria. As ligações das duas histórias com a vestimenta foi um dos pontos mais positivos que encontrei no livro, principalmente por mostrar um elemento simples e mundano, que naquela situação adquiria uma nova importância aos personagens.


Além desses há diversas outras narrativas que também me tocaram. Entre elas, a da mãe que perdeu a filha no incêndio e com isso além de perder parte de si e uma amiga, perdeu também a razão de viver, tentando cometer suicídio várias vezes, numa dessas vezes, inclusive, tentando matar a outra filha mais nova. E que posteriormente também enfrentou outras situações, como a morte do pai, um câncer da filha mais nova e até hoje tenta superar o ocorrido e seguir em frente, sem conseguir. Há também o caso dos pais que que estavam em outra cidade ao saberem da tragédia e  preocupados com as duas filhas que foram à festa, juraram a si mesmos que se elas tivessem mortas, ambos se matariam. Tem o caso do amigo que foi com outras quatro meninas — elas que permaneceram durante quase um dia inteiro na lista de sobreviventes, sem que as famílias pudessem encontrá-las, e que posteriormente foram encontradas todas mortas — e foi o único de seu grupo a sobreviver. Entre outros tantos casos. Sendo a maioria dos que me emocionaram, aqueles em que as situações condiziam com a minha própria realidade, quando eu conseguia me colocar no lugar dos personagens e imaginar algo semelhante.

A narrativa tem algumas descrições e acontecimentos bastante fortes. Um dos que mais me marcou foi o de um rapaz que conseguiu sair da boate a tempo. Do lado de fora, ele desmaiou, mas logo recobrou a consciência. Ele não sentia dor, não se sentia mal, nem nada. Mas a pele de seus braços foi completamente desgrudada e ficou pendurada pelos pulsos, segundo conta o livro. Ele não reparou no que havia acontecido e insistiu em permanecer próximo da boate, pra ajudar no que pudesse, até que o obrigaram a ir até o hospital mais próximo. Lá, ele foi medicado e sedado, ficando em coma induzido por mais de uma semana e sendo transferido para o hospital de Porto Alegre, por ter mais de 40% do corpo queimado. Felizmente, ele sobreviveu, mas viveu anos de recuperação e de muita dor.



Além de todas essas histórias pessoais, o livro também aborda outros acontecimentos menores, como o dos militares que foram autuados por estarem  recebendo os corpos das vítimas, sem estarem devidamente fardados; o do comandante dos bombeiros que foi acusado judicialmente por ter permitido que quatro jovens retornassem à casa noturna, tentando ajudar no resgate, e nunca mais saíssem; o do funcionário de uma funerária que tirava foto do corpo seminu das mulheres mortas; o dos políticos que estiveram na cidade e foram ver e fotografar os corpos antes dos próprios familiares; o dos pais de duas vítimas que foram processados pela difamação de promotores que analisavam processos antigos da Kiss; entre outros.

Obviamente, há também maiores detalhes da tragédia e do que a tornou ainda pior: na noite do dia 27 de janeiro, a casa noturna com espaço para pouco mais de 600 pessoas, abrigava quase mil. Todas as aberturas do local, à exceção de suas portas, foram trancadas para completa vedação acústica, impedindo a saída de ar; havia diversos guarda-corpos dividindo fluxos e áreas, que na hora da tragédia transformaram o local em um labirinto; as luzes sinalizadoras do banheiro que foram as únicas que permaneceram acesas e que fizeram com que dezenas de jovens corressem até o local e morressem confinados; os seguranças que no início do incêndio impediram que as pessoas saíssem por não terem pago suas comandas; e o mais grave de todos: a utilização equivocada de espuma de poliuretano de colchões na forração e isolamento das paredes, que ao entrar em contato com o fogo, produziu uma fumaça venenosa, apesar de inodora e invisível, que fez com que os presentes no local morressem em questão de minutos e praticamente com o mesmo gás que os utilizados no holocausto da Alemanha nazista.

E além de tudo, a imprudência dos músicos da banda Gurizada Fandangueira que soltaram fogos de artifício externos, num ambiente interno e abarrotado de gente, provocando o incêndio. E também a falta de diversos alvarás e irregularidades em normas técnicas — entre elas a de prevenção contra incêndio.


E é por isso que um livro como esse da Daniela Arbex é importante. Ele não só dá nome e histórias às vítimas e famílias atingidas por essa tragédia, como também impede que elas sejam esquecidas. É preciso que se aprenda com os erros, fazendo com que acontecimentos assim não venham mais a acontecer ou que no mínimo estejamos preparados para eles. É imprescindível que se recorde a soma de fatores que tornou essa a segunda maior tragédia brasileira provocada pelo homem. Famílias foram destruídas, profissionais tiveram diversos problemas de saúde físicos e psicológicos e uma cidade inteira foi modificada, isso sem contar as centenas de vidas, sonhos e futuros perdidos.

Para muitos, a dor do dia 27 de janeiro de 2013 não acabou e para nós é possível senti-la e recordá-la com o livro Todo Dia a Mesma Noite, que apesar de abordar situações tristes e dolorosas, tem uma escrita fácil, simples e rápida — considerando que você não precise parar para chorar a cada capítulo. Eu recomendo a leitura não só pela importância do fato abordado, como também pelos diversos conhecimentos a linhas de abordagem que ele traz e por ser um livro diferente do comum, que tem muitas chances de tornar-se uma obra emblemática do futuro do jornalismo nacional.

Avaliação: 
4/5

02 maio, 2019

[Resenha] Floresta dos medos - DarkSide
maio 02, 20191 Comentários

O livro é um conjunto de histórias assombrosas escrito por Emily Carroll. O livro conta com 7 capítulos onde o primeiro é a introdução seguido de 5 histórias e por fim uma conclusão. Primeiro falando do projeto gráfico, como sempre muito bem diagramado, as ilustrações também ficaram lindas e o acabamento do projeto nem se fala.

A introdução aborda aquele tema que é bem comum entre a grande maioria das pessoas, o medo de ser puxado para o escuro. Sabe quando você está na cama e fica com o pé para fora da coberta? Aí você fica com aquele medinho de alguma coisa puxar ou encostar no seu pé no escuro, bom é isso ai hehe!

A casa do vizinho é o primeiro conto do livro, ele conta a história de irmãs que são deixadas em casa pelo seu pai ao ir caçar, porém o mesmo não retorna a casa após o dia combinado, e é ai que as coisas começam a ficar estranhas. Uma das 3 irmãs disse que um homem havia visitado a casa na noite passada, o mesmo usava um chapéu de aba larga e também falou que ele iria busca-la, e assim aconteceu, na noite seguinte ela sumiu da casa, depois aconteceu o mesmo com outra das irmãs e por fim ficou apenas uma. E ai o que você acha que aconteceu com ela?


As mãos de uma moça são frias é o segundo conto do livro, o pai de uma jovem a obriga a casar com um rapaz, porém ele não imaginava o que iria acontecer a pobre coitada. A jovem se muda para a mansão do rapaz, e uma casa enorme e com um jardim na frente, durante a noite a jovem escutou alguns ruídos e ficou com aquilo na cabeça, parecia que o barulho estava vindo da parede, no dia seguinte seu marido sai e ela decide procurar o que era aquele barulho e ao furar a parede acaba se deparando com algo muito sombrio.


Seu rosto todo vermelho é o terceiro conto do livro, ele conta a história de dois irmãos, um muito querido pelos moradores da cidade e outro que era tido como piada para as pessoas. Na mesma cidade estava acontecendo alguns ataques de algum tipo de "monstro" que estava matando animais, o irmão que era uma piada para as pessoas se ofereceu na prefeitura para matar o tal "monstro", porém todos riram da sua cara, foi ai que seu irmão que era respeitado se ofereceu para ir junto e ai todos aceitaram. Durante a caçada o irmão que todos gostavam acabou matando a fera e foi ai que seu irmão tido como piada decidiu fazer uma coisa que o iria assombrar pelo resto de seus dias. 


Minha amiga Janna é o quarto conto do livro, conta a história de duas garotas que trabalhavam juntas para dar golpes, elas fingiam que falavam com os mortos para conquistar clientes que queriam saber coisas do submundo. Porém uma delas acabou percebendo que ela não fingia e que ela realmente via assombrações e esses fantasmas passaram a atormentar a vida delas. 


O ninho é o quinto conto do livro, ele conta a história de uma garota que nas férias da escola decide visitar seu irmão na casa de campo, o mesmo é casado com uma mulher muito estranha. Com diversas situações estranhas a menina acaba descobrindo uma verdade monstruosa por trás de sua cunhada e faz com que seu irmão vá embora com ela, porém no caminho de sua fuga descobre algo muito tenso. 


A conclusão conta meio que uma história da chapéuzinho vermelho onde ela volta para casa e fica feliz por não encontrar o lobo em sua caminhada, porém ao se deitar na cama vê uma sombra na janela e percebe que é o lobo, e ele diz: Você precisa ter sorte de evitar o lobo todas as vezes, mas o lobo só precisa da sorte de encontrá-la uma vez.

O livro é muito legal, me deu alguns arrepios, as ilustrações contribuem muito na história. Espero que tenham gostado da resenha e que ela possa ter despertado em vocês uma curiosidade para conhecer a obra.

Até a próxima Geek's!

Avaliação:
4/5